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O setor de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração encerrou o primeiro trimestre de 2026 com seu pior resultado de confiança desde o início das medições da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
O IC Abrava — apurado trimestralmente pela associação — recuou para 47,7 pontos, abaixo da linha de 50 que separa otimismo de pessimismo. É a primeira vez que o indicador cruza essa fronteira desde que a pesquisa foi criada.
O principal vetor do declínio é a guerra no Oriente Médio, que teria elevado o preço do petróleo e, por consequência, encarecido insumos críticos para o setor. A associação aponta três cadeias diretamente afetadas: resinas plásticas — usadas em gabinetes, isolantes e dutos flexíveis —, fluidos refrigerantes e logística.
De acordo com o levantamento, os custos de insumos subiram 16,7% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo maior resultado da série histórica da pesquisa, ficando abaixo apenas do primeiro trimestre de 2025. Naquele período, o principal fator de pressão era a alta do dólar.
Ainda segundo o relatório, a demanda não acompanhou a elevação de custos. O faturamento trimestral cresceu apenas 1,2% na comparação anual, enquanto os novos pedidos recuaram 1,4%. Os estoques, tanto de produtos finais quanto de insumos, estão acima dos níveis considerados ideais pelas empresas, sinal de que o mercado absorve mal o ritmo de produção atual.
Os dados de produção reforçam o quadro descrito pela associação. Segundo informações da Suframa citadas no relatório, foram produzidos 851 mil aparelhos do tipo “split” residencial na Zona Franca de Manaus nos dois primeiros meses de 2026, queda de 25,7% em relação aos 1,14 milhão registrados no mesmo período de 2025. No segmento de equipamentos centrais, de acordo com dados da RMS Consultoria, as retrações são mais acentuadas, com queda de 65,6% em fevereiro na comparação anual.
A maior preocupação dos empresários não é com suas próprias empresas, mas com o ambiente macroeconômico. O subíndice de confiança referente à situação atual da economia brasileira atingiu 34,8 pontos, profundamente no campo pessimista. Já o indicador equivalente para as próprias empresas ficou em 46,9, menos negativo, mas também abaixo de 50. As expectativas para o futuro ainda resistem no campo positivo, em 52,6, sustentadas em parte pela expectativa de faturamento anual de 9,35% para 2026.
O cenário macroeconômico também não ajuda. A projeção do mercado para o IPCA, segundo o relatório Focus do Banco Central, saltou de 3,91% em março para 4,36% em abril, bem acima do teto da meta. A projeção para o PIB, por outro lado, foi revisada para cima, para 1,85%.
Setorialmente, há divergências. O setor de instalação e manutenção lidera as expectativas de crescimento para 2026, com projeção de alta de 18% no faturamento. Refrigeração comercial e industrial projeta expansão de 12,6%, e fabricantes de ar-condicionado, de 12,8%. No lado oposto, o segmento de projetistas e consultores espera queda de 3,1% no ano — e já registrou retração de 13,3% no faturamento do primeiro trimestre.
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