
A receita operacional líquida das empresas do comércio brasileiro atingiu R$ 7,7 trilhões em 2024, de acordo com a Pesquisa Anual de Comércio (PAC) de 2024 divulgada nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano foi registrado um universo de 1,6 milhão de empresas comerciais, com 10,6 milhões de pessoas, que receberam R$ 369,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.
Os dados da pesquisa não são comparáveis com edições anteriores do levantamento. Em nota técnica, o IBGE explicou que a PAC, a partir do ano-base de 2024, passou por alterações metodológicas e operacionais. Foi adotado novo critério para identificar empresas ativas, em razão das mudanças nas informações disponibilizadas pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Isso provocou quebra da série histórica da pesquisa, especialmente entre as empresas de pequeno porte, tornando inadequada a comparação direta dos resultados de 2024 com os anos anteriores.
Na nota técnica, o instituto informou ainda que foi incorporada amostra complementar para incluir empresas que inicialmente ficaram de fora da seleção, ampliando o universo pesquisado. Também houve expansão da cobertura geográfica da pesquisa na região Norte, com inclusão de municípios que antes não eram contemplados. Isso aumentou significativamente número de empresas pesquisadas na região.
No estudo, o IBGE informou ainda 48,7% da receita do comércio no país em 2024 foi originada de setor atacadista, com R$ 3,8 trilhões, seguido pelo varejista (41,4% do total), com R$ 3,2 trilhões; e de veículos automotores e motocicletas (9,9% do total), com R$ 761,3 bilhões.
Além disso, o instituto informou também que, das 37 atividades do setor comercial, as três com as maiores fatias no total da receita foram hipermercados e supermercados (12%), comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (11,5%) e comércio por atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%).
Outro aspecto investigado pelo IBGE foi a margem de comercialização do setor – diferença entre a receita líquida de revenda e o custo das mercadorias revendidas. Em 2024, a margem do setor atingiu R$ 1,7 trilhão, com o comércio varejista responsável por 52,8% do total, seguido por atacado (38,9% do total) e por comércio de veículos automotores e motocicletas (8,3% do total).
Com o cálculo da margem, foi possível aos pesquisadores do instituto calcular a taxa de margem de comercialização. Essa é a razão entre a margem e o custo das mercadorias revendidas. O IBGE apurou que o comércio varejista, em 2024, foi o que obteve a maior taxa de retorno (38,6%), seguido por comércio de veículos automotores e motocicletas (23,2%) e por comércio por atacado (22,0%).
Em contrapartida, as três atividades com as menores taxas de margem de comercialização foram: comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes, (6,3%); comércio por atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos (12,9%); e comércio de veículos automotores (14,2%).
Além disso, outro ângulo apurado pelo instituto foi entender quais setores no varejo concentraram maior parte de trabalhadores e de salários. Do total de 10,6 milhões de pessoas ocupadas no setor em 2024, o comércio varejista concentrou a maior parte dos trabalhadores (7,6 milhões), seguido por comércio por atacado (2 milhões) e comércio de veículos automotores e motocicletas (950,7 mil).
Por atividades, a que empregou mais foi hipermercados e supermercados, com 1,6 milhão de trabalhadores, seguida por comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ortopédicos e de óptica (887,3 mil); e comércio de material de construção (858,5 mil). O número médio de pessoas empregadas, por empresa, girou em torno de sete funcionários em 2024.
Naquele ano, as empresas comerciais no Brasil pagaram média de 1,9 salário mínimo a seus trabalhadores. O comércio por atacado liderou com o maior salário médio (2,8 salários mínimos), seguido por comércio de veículos automotores e motocicletas (2,1 salários mínimos) e pelo comércio varejista (1,6 salário mínimo).
Além disso, o IBGE apurou quais segmentos pagavam os maiores salários, em média. Os maiores níveis de salário médio no comércio, em 2024, foram encontrados no atacado: comércio por atacado de equipamentos e produtos de tecnologia de informação e comunicação (5,8 salários mínimos); comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (4,7 salários mínimos.); e comércio por atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos, médicos, ortopédicos, odontológicos e veterinários (4,6 salários mínimos).








